Entrevista com o Realista Luís Miguel Rocha

LUÍS MIGUEL ROCHA/ENTREVISTA ESPECIAL PARA AMIGOS DO FB!
segunda, 7 de dezembro de 2009 às 14:02
SOZINHO NA LISTA DE BESTSELLERS DO NEW YORK TIMES

Não acredita em escolas de escrita e acha que não é preciso ter um canudo para alcançar o sucesso. Chama-se Luís Miguel Rocha, tem 33 anos e é o único escritor português na lista dos mais vendidos do New York Times. Uma proeza que conseguiu duas vezes seguidas. Primeiro com “The Last Pope”, depois com “The Holly Bulet.”

ANA GRICHETCHKINE: O “ÚLTIMO PAPA” TORNOU-SE NUM ÊXITO DE VENDAS NOS E.U.A. 4 MESES APÓS A SUA PUBLICAÇÃO, COLOCANDO PELA PRIMEIRA VEZ UM AUTOR PORTUGUÊS NA LISTA DE BESTSELLERS DO NEW YORK TIMES. COMO SE EXPLICA ESTE FENÓMENO?

LUÍS MIGUEL ROCHA: Os meus livros estão publicados em mais de 20 países. São bestsellers tanto nos EUA, como em Espanha, como na Rússia… Os leitores querem saber sempre mais, a temática interessa-lhes. O que importa num livro é o tema e a narrativa. Se estes tiverem qualidade, a língua é apenas um detalhe…

ANA G. : A TEMÁTICA É SEMPRE O VATICANO…

LMR: Em “O Último Papa” o tema é o assassinato de João Paulo I. No “Bala Santa” o tema é a tentativa de assassinato de João Paulo II, em 1981. Ambos fazem parte de uma série. Neste momento estou a acabar o próximo livro da série. A Putman, que é a minha editora nos E.U.A., tem uma série de Daniel Silva que já vai em 11 livros. O meu objectivo é chegar lá.

ANA G. : MAS O DANIEL SILVA NÃO ESCREVE SOBRE A IGREJA…

LMR: Não. O Daniel Silva, como eu costumo dizer, tem a franchise Judaica e eu a católica. Somos colegas de editora. Até 2013 tenho de escrever mais 4 (um por ano) livros desta série.

ANA G.: ATÉ À SAÍDA DE “O ÚLTIMO PAPA” EM 2006, ERAS UM PERFEITO DESCONHECIDO, EMBORA TIVESSES PUBLICADO UM ROMANCE EM PORTUGAL ANOS ANTES…

LMR: Sim. Chama-se “Um País Encantado” e foi publicado em 2005 pela Planeta Editora. Mas este título não é meu, é do editor. O título que eu queria era “A Virgem.” É um romance histórico, que é mais a minha onda. Prefiro o romance histórico ao thriller, mas tanto “O Último Papa” como o “Bala Santa” são thrillers. Reeditei “A Virgem” este ano numa edição própria como havia imaginado.

ANA G.: TENTASTE NEGOCIAR COM A PLANETA EDITORA A PUBLICAÇÃO DE “O ÚLTIMO PAPA?

LMR: Não. Nunca me pagaram um tostão, por que haveria de voltar a contactá-los?

ANA G.: ACHAS QUE “O ÚLTIMO PAPA” REVELOU ALGO QUE JÁ NÃO SE SOUBESSE SOBRE O ASSASSINATO DE JOÃO PAULO I?

LMR: Sim, caso contrário não o escreveria. Em Itália, os jornalistas que investigavam o caso há mais de 20 anos trataram o livro com muito respeito e consideram-no inclusive um livro-verdade.

ANA G.: ENTÃO QUEM LER O TEU LIVRO FICARÁ FINALMENTE A SABER COMO MORREU O PAPA JOÃO PAULO I?

LMR: Sim. Antes deste livro ninguém tinha dito por que e como morreu o Papa.

ANA G. : FOI DIFÍCIL FAZER A PESQUISA, QUE AJUDA TIVESTE?

LMR: Não fiz pesquisa nenhuma, as informações chegaram-me por pessoas relacionadas com o caso.

ANA G.: ESSAS INFORMAÇÕES CHEGARAM-TE ANTES OU DEPOIS DE TERES TIDO A IDEIA DE ESCREVER O LIVRO?

LMR: Antes. O Vaticano nunca me tinha interessado até aí.

ANA G.: “O ÚLTIMO PAPA” É UM ROMANCE FACTUAL?

LMR: Sim, 100 por cento factual. O mesmo acontece com o “Bala Santa.” Um padre italiano chegou até a perguntar-me como é que eu podia saber aquilo tudo com a idade que tenho, pois tudo o que está no livro é verdade.

ANA G.: MAS COMO É POSSÍVEL QUE TENHAS TIDO ACESSO À INFORMAÇÃO QUE TE PERMITIU DESLINDAR AS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE OCORREU A MORTE DO PAPA?

LMR: Isso é matéria que dava outro livro. Talvez um dia alguém o queira escrever.

ANA G.: MAS DÁ-NOS LÁ UMA PITADINHA DO QUE ACONTECEU…

LMR: O que aconteceu foi que quem me assiste é muito influente e tem ligações muito profundas dentro e fora do Vaticano.

ANA G.: MAS TRATA-SE DE UMA PESSOA DAS TUAS RELAÇÕES, ASSISTE-TE DESDE O PRIMEIRO MOMENTO, COMO ACONTECEU?

LMR: Assiste-me desde o primeiro momento. Era das minhas relações muito antes sequer de eu suspeitar que escreveria livros.

ANA G.: ENTÃO ESSA PESSOA DEU-TE DETERMINADA INFORMAÇÃO E DISSE: FAZ O QUE QUISERES COM ELA. TU PENSASTE: OLHA, VOU ESCREVER UM LIVRO. FOI ASSIM?

LMR: Não. Essa pessoa contou-me uma confidência, em jeito de desabafo. Só mais tarde surgiu a ideia do livro. Mas assim que surgiu pensei logo em ficção e nunca em não-ficção.

ANA G.: E QUANDO TE BATEU ESSA COISA DA ESCRITA? QUANDO SOUBESTE QUE QUERIAS SER ESCRITOR?

LMR: Não creio que tenha alguma vez querido ser escritor, mas os professores davam-me sempre mais um valor pela forma como eu escrevia, daí ter reparado muito cedo que se passava alguma coisa com a forma como escrevia. Surtia algum efeito nas pessoas. Um dia estava a ler o “Memorial do Convento” e dei por mim a pensar que sabia fazer aquilo.

ANA G.: QUANDO ANDAVAS NA ESCOLA QUERIAS SER O QUÊ?

LMR: Realizador de cinema, mas entretanto passou-me.

ANA G.: E QUANDO ESCREVES VÊS OS ACTORES, AS CENAS, SENTES-TE UM POUCO REALIZADOR?

LMR: Não. Para mim escrever é como ler, nunca sei o que vai acontecer (a não ser que tenha de seguir o guião da História).

ANA G.: QUAL É A TUA FORMAÇÃO ACADÉMICA?

LMR: 12º ano.

ANA G.: E QUE IDADE TINHAS QUANDO COMEÇASTE A ESCREVER ROMANCES?

LMR: Comecei a escrever o primeiro capítulo de “A Virgem” aos 16 anos, o resto aos 28.

ANA G.: DIZES QUE NUNCA QUISESTE SER ESCRITOR, MAS HOUVE COM CERTEZA UM MOMENTO EM QUE DECIDISTE QUE IAS SÊ-LO, OU NÃO?

LMR: Acho que não, quando dei por mim já o era.

ANA G.: E DESTE POR ISSO QUANDO, COM A SAÍDA DO PRIMEIRO ROMANCE?

LMR: O primeiro romance foi mais na onda daquele lema plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro. Depois vi a idiotice que era.

ANA G.: IDIOTICE EM QUE ASPECTO?

LMR: Não plantei árvores, nem tive filhos, mas escrevi o livro. Reparei que não sou um “go with the flow,” não vou para o lado que vai a multidão.

ANA G.: E ENTRETANTO, JÁ TIVESTE FILHOS, JÁ PLANTÁSTE ÁRVORES?

LMR: Continuo apenas a escrever livros.

ANA G.: E FILHOS…?

LMR: Talvez tenha chegado a hora de começar a pensar nisso.

ANA G.: SEI QUE NÃO ÉS CASADO, MAS TENS NAMORADA. ÉS PORTANTO UM RAPAZ COMPROMETIDO…

LMR: Comprometido, mas não morto.

ANA G.: ACREDITAS EM DEUS?

LMR: Sim, mas não no Deus da Igreja.

ANA G.: EM QUAL?

LMR: No meu.

ANA G.: E COMO É ESSE TEU DEUS?

LMR: A melhor palavra para o caracterizar é Incondicional.

ANA G.: E TENS CONVERSAS COM ELE, PEDES-LHE FAVORES?

LMR: Não, jamais. O facto de não pedir nada a Deus tem a ver com uma história muito bonita que me contaram. É uma história simples. Se perguntares a um pai que tenha 2 filhos de que filho gosta mais, ele irá dizer-te que gosta tanto de um como de outro. Se deres às pessoas o poder de Deus e lhes pedires que escolham um filho para ir para o céu e outro para o inferno, ninguém consegue escolher. Por vezes perguntarão se podem ir elas mesmas em vez dos filhos. A isto respondo: “Pois, Deus também gosta dos seus filhos todos.” Por isso não pediria nada a Deus, pois sei que o meu pedido não seria mais importante que nenhum outro pedido.

ANA G.: QUER ISSO DIZER QUE ACREDITAS NO CÉU, MAS NÃO NO INFERNO?

LMR: Não acredito nem no céu nem no inferno. Nem o Vaticano acredita.

ANA G.: O VATICANO NÃO ACREDITA NO INFERNO?

LMR: Nos próximo anos o Vaticano acabará com o Purgatório e com o Inferno, invenções do século XV e não do início dos tempos. Assim como o casamento como o conhecemos provém do século XII e a confissão (invenção genial, diga-se) é uma invenção Jesuíta do século XVI.

ANA G.: ENTÃO E QUANDO MORRERMOS, ACONTECE O QUÊ?

LMR: Acontece o que quisermos que aconteça.

ANA G.: Ok, NESSE CASO VOU PARA O CÉU…

LMR: Ou voltas à Terra, a escolha é sempre tua.

ANA G.: E O ROMANCE QUE ESTÁS A ESCREVER AGORA, QUAL É O TEMA?

LMR: Se Jesus realmente existiu.

ANA G.: MAS NÃO SABEMOS JÁ ISSO?

LMR: Não. Jesus é apenas mencionado num livro e em mais lado nenhum.

ANA G.: E ENTÃO, JESUS EXISTIU?

LMR: Para saberes isso terás de ler o livro. Mas ficaremos a conhecer um homem diferente daquele que nos dão a conhecer.

ANA G.: MAS É UM ANJO, UM PROFETA, UM FILHO DE DEUS, UM HOMEM COMO OS OUTROS… QUEM É ELE, ESSE JESUS?

LMR: É um grande homem.

ANA G.: E ONDE FOSTE BUSCAR AS PROVAS DA EXISTÊCIA DE JESUS?

LMR: Neste livro há uma mistura. 75 por cento de história verdadeira e 25 por cento de história plausível. Tenho actualmente uma equipa de 2 jornalistas que permanentemente faz investigação para os meus livros. O leitor do thriller é exigente apesar das conotações que existem de que é um género menor.

ANA G.: ÉS O DAN BROW PORTUGUÊS?

LMR: Não.

ANA G.: MAS ESCREVES DENTRO DA MESMA ONDA…

LMR: Isso é necessidade de rotular as pessoas, não é o que diz quem me leu.

ANA G.: NÃO TE SENTISTE DE CERTA FORMA INFLUENCIADO POR ELE?

LMR: Nada. Mas eu gosto dele e penso que abriu as portas a muita gente, mesmo aos que falam mal dele.

ANA G.: EM CRIANÇA, LIAS O QUÊ?

LMR: Lia Saramago. Era doido pelos livros dele.

ANA G.: POR INFLUÊNCIA DOS TEUS PAIS?

LMR: Não. A minha família não é muito leitora. Estou em crer que nunca leram um livro meu.

ANA G.: E QUE DIZ A TUA FAMÍLIA DO TEU SUCESSO?

LMR: Ficam muito contentes, mas não se metem.

ANA G.: E DIZEM A TODA A GENTE QUE ÉS O FILHO, O IRMÃO…?

LMR: Sim, isso dizem (coisa que não me agrada nada).

ANA G.: E FIZESTE O 12º ANO E NÃO QUISESTE ESTUDAR MAIS…

LMR: Não. Achei que era ali o fim da linha. O meu pai ainda hoje me atira isso à cara.

ANA G.: QUANDO “A VIRGEM” FOI PUBLICADA TRABALHAVAS EM QUÊ?

LMR: Em Televisão.

ANA G.: ENTRETANTO TINHAS IDO PARA LONDRES. ESCREVIAS PARA A TV, LÁ?

LMR: Sim.

ANA G.: EM INGLÊS?

LMR: Sim.

ANA G.: COMO APRENDESTE A DOMINAR A LÍNGUA INGLESA A ESSE PONTO?

LMR: Com a prática. Sempre fui muito bom a línguas.

ANA G.: PODIAS ESCREVER ROMANCES EM INGLÊS?

LMR: Podia. Mas como penso em Português é mais fácil escrever em Português. Além disso é uma língua mais rica.

ANA G.: E ESCREVIAS O QUÊ PARA A TV?

LMR: Tanta coisa… Especialmente comédias. Nada digno de registo. Não trabalhei em nenhum canal nacional, em nenhuma BBC ou ITV.

ANA G.: QUANDO FOSTE PARA LONDRES, JÁ IAS COM O OBJECTIVO DE ESCREVER PARA A TELEVISÃO?

LMR: Não. Ia disposto a fazer tudo, até a lavar pratos.

ANA G.: EM VEZ DISSO ACABASTE NA TELEVISÃO, COMO É QUE ISSO ACONTECEU?

LMR: Como tudo na vida, tudo depende de quem te aparece nela.

ANA G.: ENTÃO TUDO É SORTE OU AZAR?

LMR: Não. A sorte e o azar não têm nada a ver com isto. A vida é o que tu queres que ela seja.

ANA G.: MAS SE TUDO DEPENDE DE QUEM TE APARECE NO CAMINHO…

LMR: Podia-me ter aparecido um criminoso ou um mafioso ou um “junkie”.

ANA G.: ACHAS QUE ATRAISTE, ATRAVÉS DOS TEUS DESEJOS, UM DETERMINADO TIPO DE PESSOA?

LMR: Na minha vida só aparece quem eu quero.

ANA G.: E O LIVRO QUE ESTÁS A ESCREVER, JÁ TEM TÍTULO?

LMR: Eu queria que se chamasse “The Sacred Lie”, mas a editora quer “The Pope’s Assasssin.”

ANA G.: JÁ ALGUMA VEZ, NUM MEIO DE TRANSPORTE, NUMA SALA DE ESPERA, À BEIRA DE UMA PISCINA… DESTE COM ALGUÉM A LER OS TEUS LIVROS?

LMR: Sim, já aconteceu, num avião e num comboio. Foi engraçado, mas calei-me por respeito ao leitor. O leitor para mim é sagrado, tem de ler o que escrevo e não ouvir o que eu digo.

ANA G.: E SERES O ÚNICO PORTUGUÊS NA LISTA DE BESTSELLERS DO NEW YORK TIMES, QUAL É A SENSAÇÃO?

LMR: Solidão.

ANA G.: ACHAS QUE HÁ LUGAR PARA MAIS PORTUGUESES?

LMR: Claro que sim. Eu sou a prova disso. Provavelmente não para os escritores conhecidos, mas para aqueles que não são consagrados em Portugal.

ANA G.: E COMO SE EXPLICA QUE EM PORTUGAL NÃO SEJAS UMA FIGURA MEDIÁTICA?

LMR: Porque os directores dos jornais devem ser todos muito católicos e rotularam o livro sem o ler. O livro não tem nada a ver com religião, tem a ver com os homens e os seus actos. Mas também porque não sou muito dado a entrevistas.

ANA G.: OS CRIMES IMPLICAM SEMPRE UM CASTIGO?

LMR: Não.

ANA G.: ACREDITAS NA JUSTIÇA DIVINA?

LMR: Não.

ANA G.: NEM NA JUSTIÇA DOS HOMENS?

LMR: Nessa então nem se fala.

ANA G.: E ÉS MONÁRQUICO, PORQUÊ?

LMR: Porque em 100 anos de república não temos do que nos orgulhar. Ainda estou para ver se vão contar com os 48 anos de ditadura. Acho que Portugal perdeu a personalidade.

ANA G.: QUAL É O MAIOR MAL DO PAÍS?

LMR: Os maus políticos e (tenho receio) alguma má qualidade do povo.

ANA G.: VAIS CONTINUAR A ESCREVER SOBRE A IGREJA?

LMR: É o que está no contrato.

ANA G.: QUAL A RECEITA PARA UM LIVRO DE SUCESSO?

LMR: Bem escrito, um tema que desperte interesse às pessoas e a forma como se conta, uma boa editora.

ANA G.: ACHAS IMPORTANTE COISAS COMO FREQUENTAR ESCOLAS DE ESCRITA, FACULDADES PARA ESCRITORES…?

LMR: Não, nada. Ou escreves ou não escreves. Ninguém te vai ensinar a escrever.

ANA G.: E A ARRANJAR METÁFORAS, COMPARAÇÕES… ÉS BOM NISSO?

LMR: Costumo dizer por brincadeira: escrevo bem demais. Preciso é de escrever em quantidade porque a qualidade é garantida. Não sei escrever mal. Agora a sério o texto tem de fluir, a metáfora ou a comparação tem de surgir naturalmente.

ANA G.: QUAIS SÃO AS PÁGINAS MAIS BEM ESCRITAS DOS TEUS LIVROS, AS PRIMEIRAS?

LMR: Todas.

ANA G.: QUANTAS HORAS ESCREVES POR DIA?

LMR: Depende do gozo que o capítulo me está a dar.

ANA G.: NÃO TENS UM NÚMERO MÍNIMO DE HORAS?

LMR: Não. Sou muito indisciplinado.

ANA G.: MAS MAIS OU MENOS, QUANTAS HORAS?

LMR: 5 horas.

ANA G.: E TENS UMA JANELA COM VISTA BONITA OU NÃO TIRAS OS OLHOS DO TECLADO?

LMR: Escrevo no telemóvel, a Nokia devia pagar-me. As minhas ideias aparecem de repente e fogem. Tive de arranjar maneira de poder alcançá-las.

ANA G.: ENTÃO ESCREVES ONDE QUER QUE SEJA…

LMR: Sim, onde quer que seja. O lugar não é problema.

ANA G.: ACREDITAS EM MUSAS, EM INSPIRAÇÃO?

LMR: Acredito que precisas de estar bem contigo próprio, em paz, sem distracções. A inspiração não te ajuda muito quanto tens de cumprir um “deadline.”

ANA G.: E COMO SÃO OS TEUS DIAS, ESCREVES DE NOITE?

LMR: Escrevo de tarde, de manhã caminho.

ANA G.: TENS ALGUMA APARIÇÃO PLANEADA PARA A TV AMERICANA?

LMR: Para o “Dailly Show”, quando sair o próximo livro.

ANA G.: AINDA FALTA MUITO?

LMR: 100 páginas…

ANA G.: E HOLLYWOOD SERÁ PARA QUANDO?

LMR: Lá para 2013.

ANA G.: GOSTAVAS DE TER UMA PALAVRA NA ESCOLHA DOS ACTORES?

LMR: Não. Nem guião.

ANA G.: PODEMOS CONCLUIR QUE PARA TER SUCESSO NÃO É PRECISO TER UM CANUDO?

LMR: Claro que não.

ANA G.: SENTES-TE BEM EM PORTUGAL, NO PORTO? PREFERES LONDRES, ROMA…? ÉS UM HOMEM DO MUNDO?

LMR: Completamente do mundo. Adoro o Porto, mas sinto-me bem em qualquer lado.

ANA G.: E QUANDO VAIS AO ESTRANGEIRO, COSTUMAS OFERECER VINHO DO PORTO? ÉS ADEPTO DO FCP?

LMR: Ofereço Vinho do Porto, Queijo da Serra e, sempre que posso, levo um fadista e guitarristas. Sou adepto do FCP.

ANA G.: E DEPOIS EXPLICAS AS LETRAS DAS CANÇÕES…?

LMR: Só de alguns fados. Tenho levado fados de Coimbra menos conhecidos, as pessoas vibram.

ANA G.: ISSO PARA AS APRESENTAÇÕES, LANÇAMENTOS?

LMR: Sim, para as apresentações e lançamentos. Gosto muito de levar pessoas comigo. O autor a falar sobre o livro chateia-me. Assim, vamos falando ao sabor da música. Também gosto de convidar leitores para falar do livro. Afinal, quem melhor do que eles para falar sobre o que escrevo?

ANA G.: GOSTAS DE TE DAR COM OUTROS ESCRITORES?

LMR: Sim e dou-me mais com autores estrangeiros.

ANA G.: TRÊS QUALIDADES QUE TU TENHAS? E TRÊS DEFEITOS?

LMR: Teimoso, impulsivo, intempestivo. Serve para qualidades e defeitos.

ANA G.: QUAIS OS MAIORES PRAZERES DA TUA VIDA, AQUILO QUE GOSTAS MAIS DE FAZER?

LMR: Ler, viajar, cinema, uma boa conversa com um amigo, de preferência numa esplanada numa qualquer cidade desse mundo e amar, claro.

ANA G.: E O QUE NÃO GOSTAS NADINHA DE FAZER?

LMR: De pagar impostos. Aflige-me pagar impostos para estes políticos. De resto não faço nada de que não goste.

ANA G.: GOSTAS MAIS DE SER TRATADO, COMO? NOME COMPLETO, APENAS LUÍS…?

LMR: Luís.

ANA G.: E QUE MENSAGEM GOSTARIAS DE DEIXAR AOS NOSSOS AMIGOS E AMIGAS DO FACEBOOK?

LMR: O FB é um mundo por si só. Tenho conhecido amigos que se tornaram amigos verdadeiros e extravasaram o virtual e agora jantamos, viajamos, conversamos pessoalmente… adoro socializar. Daí que todos, todos os amigos do FB tenham sempre algo para me dar, mesmo quando não dizem nada.

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