rapm ♦ Fevereiro 15, 2010 ♦ 1 Comentário
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A TRANSPARÊNCIA OPACA DO SR. FERNANDO NOBRE
Entenda-se que não ponho em causa, de modo algum, a qualidade profissional e o sentido humanitário do trabalho do Dr. Fernando Nobre à frente da AMI.
Em plano muito diferente está a sua opção política de candidatura à Presidência da República, que me aparece como uma incursão monárquica exactamente no ano em que comemoramos o centenário da República.
Porque digo isto? Vejam-se as ligações:
Fernando Nobre é Presidente da Assembleia Geral do Instituto Democracia Portuguesa cujo Presidente de Honra é… D. Duarte de Bragança! Como se vê AQUI.
Vejam-se também os órgãos desse Instituto, com as diversas personalidades que o compõem.
Por exemplo, o Presidente da Direcção é o Prof. da Universidade Católica Mendo Castro Henriques, com um relevante currículo académico no qual nunca escondeu a sua defesa da Monarquia.
Leiam-se alguns textos do referido professor AQUI; AQUI; ou a sua intervenção no X CONGRESSO DA CAUSA REAL.
Ser monárquico não é crime. Para mais, esta corrente monárquica defende inequivocamente o regime democrático. Mas defende, igualmente, a passagem do regime republicano ao regime monárquico através de um processo que chamam de “dupla revisão constitucional”, no qual o povo português seria chamado a referendar o novo regime. A intervenção de Mendo Castro Henriques no X Congresso da Causa Real intitulava-se, significativamente, «4.ª República ou 5.ª Dinastia? Os Modelos da Construção europeia e a Relevância da Questão do regime» e teorizava longamente sobre estas questões.
Portanto, a candidatura de Fernando Nobre não é nada inocente. Ontem, na sua apresentação afirmou que ela é a “dos que não tiveram voz até agora, dos que se desiludiram com a política, dos que acreditam que a política não se esgota nos políticos e não é a sua coutada privada”. Dirige-se aqueles para quem “o destino do país não é indiferente” e diz-lhes que “chegou a hora da grande, determinada e corajosa opção de actuar”.
Envolvida em ideais de renovação da vida pública e em transparência democrática, esta candidatura é, na realidade, um afrontamento aos ideais republicanos.